sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Topografia e dinâmica da personalidade



Topografia e dinâmica da personalidade






Por Claudine Oliveira (Pedagoga e Psicanalista Clínica)

A divisão topográfica da personalidade compreende o consciente, o pré-consciente e o inconsciente.
O consciente inclui as porções da vida mental a que o indivíduo tem acesso de forma imediata. Inclui, também, a maior parte, mas não a totalidade, do Ego.
O pré-consciente inclui as partes da vida mental que podem ser trazidas ao consciente após um esforço de concentração da atenção. Compreende, principalmente, o Ego.
O inconsciente é  desconhecido para o indivíduo,  partes do seu conteúdo passam ,ás vezes  para o pré-consciente e daí virem a se manifestar no consciente.
Os conteúdos do inconsciente são de grande significado na determinação da conduta e do pensamento.
Quanto a dinâmica por meio da Teoria Estrutural, Freud localizou, no espaço intrapsíquico ,formada pelo inconsciente ,pré-consciente e consciente, três estruturas a que denominou de Id, Ego e Superego .A primeira dotada de uma poderosa energia: é o polo pulsional da personalidade. A segunda, o polo defensivo da personalidade, acumulando as funções de executivo e de ligação entre os processos psíquicos e a terceira, o Superego, a cumprir o papel de censor do Ego, em substituição aos pais. Ou seja, essas três forças interagem-se constantemente determinando as  nossas ações diárias no que diz respeito a personalidade.
Fonte :Psicanalise I/SPOB



Freud e o inconsciente

Freud e o inconsciente



Freud não foi o primeiro autor do seu tempo a falar em inconsciente, em pensamentos ou componentes inconscientes, mas foi o primeiro a não falar em inconsciente de forma puramente adjetiva para designar apenas aquilo que não era consciente; em Freud inconsciente designa um sistema psíquico independente da consciência e dotado de atividade própria, com suas próprias leis e regras.
Quem formulou uma ideia de inconsciente mais próxima da de Freud foi Herbart, mas a ideia de inconsciente formulada por ele não é uma instância psíquica distinta, mas designava apenas ideias que continuavam ativas mesmo depois de serem inibidas.
Até mesmo depois das formulações de inconsciente estabelecidas por Freud, o inconsciente ainda continuou a ser identificado com o caos, o mistério, o inefável, o ilógico, sem nenhuma inteligibilidade. O inconsciente não é o que fica abaixo da consciência. “A psicanálise não é a psicologia das profundezas, na medida em que o ‘profunda’ aponte para uma espécie de subsolo da mente até então desconhecida e que ela se proponha a explorar” (Rosa, 2005, p.17).
No capítulo VII da ‘Interpretações dos Sonhos’, Freud (1900) fez sua primeira definição de inconsciente. Ele se justifica declarando que não há nada de arbitrário nos acontecimentos psíquicos, todos eles são determinados; não há é uma determinação única. O tipo de ordem do Sistema Inconsciente é distinta da dos Sistemas Consciente/Pré-consciente; mas isso não significa que não haja nenhuma ordem.
O inconsciente possui uma sintaxe própria, ele é uma forma e não uma coisa ou um lugar. É uma lei de articulação. A consciência e o inconsciente têm formas diferentes, gramáticas diferentes para submeter seus conteúdos. O que define consciente e inconsciente não são seus conteúdos, mas o modo segundo o qual cada um dos dois sistemas opera, impondo a seus conteúdos determinadas formas.

Fonte: O Inconsciente - Psicanálise - Abordagens - Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/o-inconsciente#ixzz1mqfvAtWp





Mecanismos de defesa


Mecanismos de defesa






Os mecanismos de defesa constituem operações de proteção postas em jogo pelo Ego ou pelo Si-mesmo para assegurar sua própria segurança. Os mecanismos de defesa não representam apenas o conflito e a patologia, eles são também uma forma de adaptação. O que torna “as defesas” um aspecto doentio é sua utilização ineficaz ou então sua não adaptação às realidades internas ou externas. (Bergeret, 2006).
Os mecanismos de defesa fazem parte dos procedimentos utilizados pelo Eu (Ego) para desempenhar suas tarefas, que em termos gerais consiste em evitar o perigo, a ansiedade e o desprazer.
Entre os mecanismos de defesa é preciso considerar, por um lado, os mecanismos bastante elaborados para defender o Eu (ego), e por outro lado, os que estão simplesmente encarregados de defender a existência do narcisismo.
Freud (1937) lembra que as defesas servem ao propósito de manter afastados os perigos. Em parte, são bem-sucedidos nessa tarefa, e é de duvidar que o ego pudesse passar inteiramente sem esses mecanismos durante seu desenvolvimento. Mas esses próprios mecanismos, que a priori, são defensivos podem transformar-se em perigos. O ego pode começar a pagar um preço alto demais pelos serviços que eles lhe prestam. O dispêndio dinâmico necessário para mantê-los, e as restrições do ego que quase invariavelmente acarretam, mostram ser um pesado ônus sobre a economia psíquica. Tais mecanismos não são abandonados após terem assistido o ego durante os anos difíceis de seu desenvolvimento.
Nenhum indivíduo, naturalmente, faz uso de todos os mecanismos de defesa possíveis. Cada pessoa utiliza uma seleção deles, mas estes se fixam em seu ego.
Tipos de mecanismos de defesa:
Formação reativa
É um contra-investimento da energia pulsional retirada das representações proibidas. Por exemplo, a solicitude pode ser uma formação reativa contra as representações violentas ou agressivas; ou as exigências de limpeza e asseio uma reação reativa contra o desejo de sujar.
A formação substitutiva pode dá-se no sentido inverso. O sujeito pode tentar mascarar por meio de uma pseudo-sexualidade substitutiva de superfície, suas carências objetais e sexuais, ao mesmo tempo que tenta se assegurar contra a carência de suas realidades narcísicas. O sujeito opera no registro das defesas do Si-mesmo.
Identificação 
A identificação é uma atividade afetiva e relacional indispensável ao desenvolvimento da personalidade. “Como todas as outras atividades psíquicas, a identificação pode, por certo, ser utilizada igualmente para fins defensivos.” (Bergeret, 2006, pág. 101)
Projeção 
Para Freud, existem nesse mecanismo três tempos consecutivo. Primeiro a representação incômoda de uma pulsão interna é suprimida, depois esse conteúdo é deformado, enfim, ele retorna para o consciente sob a forma de uma representação ligada ao objeto externo. 
A projeção ocorre em todos os momentos da vida. Ela é essencial no estágio precoce de desenvolvimento, contribuindo para a distinção entre Si-mesmo e não-Si-mesmo, onde tudo o que é prazeroso é experimentado como pertencente ao Si-mesmo; e tudo o que é penoso e doloroso se experimenta como sendo não-Si-mesmo. Esse é um processo normal que ajuda a fortificar o Si-mesmo e a estabelecer o esquema corporal.
A introjeção seria uma defesa contra a insatisfação causada pela ausência exterior do objeto. A incorporação é o objetivo mais arcaico dentre os que se dirigem para um objeto. A identificação, realizada através da introjeção, é o tipo mais primitivo de relação com os objetos.
Anulação 
Freud diz que é um processo ativo consiste em desfazer o que se fez. O sujeito faz uma coisa que, real ou magicamente, é o contrario daquilo que, na realidade ou na imaginação se fez antes.
Isolamento
Esse mecanismo é descrito por Freud desde 1894, e consiste em separar a representação incômoda do seu afeto. No isolamento o paciente não esquece os traumas patogênicos, mas perde o rastro das conexões e o significado emocional. Os fatos importantes de sua vida (e que podem ter forte teor patogênico) perdem o significado afetivo, são isolados de sua carga emotiva.
Deslocamento
Nesse mecanismo a representação incômoda de uma pulsão proibida é separada de seu afeto e este é passado para uma outra representação, menos incômoda, mas ligada à primeira por um elemento associativo (Bergeret, 2006). O afeto contido em relação a um certo objeto explode contra outro objeto.
Sublimação
Na sublimação o alvo é abandonado em proveito de um novo alvo, valorizado pelo superego e ideal de Si-mesmo. A sublimação não necessita de nenhum recalcamento.























segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A transferência e o professor



A Transferência e o professor


“Os educadores, investidos da relação afetiva primitivamente dirigida ao pai, se beneficiarão da influência que esse último exercia sobre a criança.” Sigmund Freud

 A psicanálise muito tem a contribuir para a formação de educadores, já que estes, preocupados com a construção do conhecimento do aluno, devem atentar-se para os aspectos  motivadores do despertar da curiosidade do aluno, processo no  qual a representação que o professor engendra constitui peso considerável.  
Quem não se recorda de alguém já ter dito o quanto determinado professor foi capaz de influenciar consideravelmente na opinião, motivação e relação do aluno em relação a uma disciplina específica? Este fato recorrente encontra na psicanálise fundamentações teóricas para sua sustentação: as transferências, que seriam “reedições dos impulsos e fantasias despertadas (...) que trazem como característica a substituição de uma pessoa anterior pela pessoa do médico (Freud, 1901)” (ou professor) . Como o próprio Freud cita (p.286): “é difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e teve maior importância foi a nossa preocupação com as ciências que nos eram ensinadas, ou pela personalidade de nossos mestres.”
Segundo Freud, “os pais constituem para a criança pequena a autoridade única e a fonte de todos os conhecimentos” (p. 243). Eles são os primeiros símbolos para a criança, os quais serão contestados somente mais tarde. A escola possui papel fundamental na descontinuidade deste pensamento, quando distingue  o conhecimento que o aluno trás de casa com a  forma pela qual ele é tratado pelo professor. É de praxe encontrar alunos fazendo suas tarefas de casa e, frente às intervenções sugeridas pelos pais, tenham se retraído veementemente, alegando que a forma proposta por eles não é “do jeito da professora, está errado!”
Tal fato é um exemplo de transferência: os pais, em primeira instância tidos como mantenedores de todo o conhecimento, têm suas posições deslocadas para os professores, que devem por isto estar ciente deste processo psicanalítico, para que possam lidar da melhor forma possível a favorecer a construção do conhecimento. Isto porque: “somente alguém que possa sondar as mentes das crianças será capaz de educá-las” (Freud, p.224).
 O conceito de inconsciente descoberto por Freud faz parte dos três severos golpes sofridos pela humanidade e será através dele que poderemos entender todo o processo de transferência. A psicanálise explica que as pessoas com que a criança passa a conviver fora do círculo abrangendo pai, mãe, babá, irmão ou irmã passarão a exercer um papel de figuras substitutas desses primeiros objetos de seus sentimentos, tornando-se “imagos” (imagens) destes.
A transferência é uma manifestação inconsciente (Kupfer, p.88) e como tal, pode nos deixar em armadilhas tais como nos atos falhos, pois através da transferência podemos nos inclinar ou rejeitar pessoas que estão à nossa volta sem aparentemente sabermos o por quê.
Dessa forma, sentimentos de simpatia ou rejeição gratuitos que tanto o professor pode sentir em relação a algum aluno, assim como algum aluno em relação ao professor, podem ter origem nesta premissa, já que “os relacionamentos posteriores são obrigados a arcar com uma espécie de herança emocional(...) Todas as escolhas posteriores de amizade e de amor seguem a base das lembranças deixadas por esses primeiros protótipos” (Freud, p. 287)
O professor entra em cena geralmente na segunda metade da infância, momento no qual a criança está começando a relativizar a alta opinião original que tinha pelo seu pai, o que torna-os ocupadores de da posição como “pais substitutos”. Tanto é verdade que, transferem-se para estes o respeito e as expectativas ligadas ao ideário do pai da infância. Freud, em seu livro “Psicologia do colegial” aborda esta temática: professores como herdeiros de inclinações carinhosas ou agressivas antes dirigidas aos pais.






Sonhos








Sonhos



Por Claudine Oliveira (Psicanalista e Pedagoga)

Você dorme para sonhar ou sonha para dormir? Essas e outras perguntas foram respondidas por Freud ao longo da sua trajetória na interpretação de sonhos.
Segundo Freud , “o sonho é a via régia de acesso ao conhecimento do inconsciente na vida mental .”Em sua concepção, o sonho é um produto da atividade do inconsciente e que tem sempre um sentido intencional ,a saber: a realização ou a tentativa de realização mais ou menos dissimulada, de uma tendência reprimida.
O sonho é produzido com os pensamentos, dados e experiências que são recalcadas para o inconsciente, o que fazemos automaticamente, mas que agridem o psiquismo. O sonho é, portanto, algo que por força do superego, não deve acontecer no pensamento chamado consciente: a censura não o permite.
Necessitamos sonhar, os sonhos nos ajudam a satisfazer o nosso ID ( nossos instintos) .Quantas vezes acordamos satisfeitos por termos realizados desejos que acordados, não teríamos coragem? Ou então, ficou bem claro após acordarmos de um sonho, o que realmente desejávamos fazer diante de determinadas situações?
Todo sonho deve o seu conteúdo ao passado e ao presente. Existem sonhos que são de baixo e outros que são de cima. Os de baixo trazem conteúdos do inconsciente, sentimentos e ideias do princípio da vida e não lembramos tão facilmente dos mesmos ao acordarmos. Já os de cima são chamados de serviço servem para nos levar a dormir são conteúdos recorrentes do dia a dia.
Nos sonhos nem sempre existe uma lógica, e embora pareça inteiramente louco, possui um método intrínseco.
Analisar os sonhos trazidos pelos clientes em análise constitui uma importante ferramenta de trabalho para o psicanalista.

Fonte :Interpretação de sonhos/SPOB