Mecanismos de defesa
Os mecanismos de defesa constituem
operações de proteção postas em jogo pelo Ego ou pelo Si-mesmo para assegurar
sua própria segurança. Os mecanismos de defesa não representam apenas o
conflito e a patologia, eles são também uma forma de adaptação. O que torna “as
defesas” um aspecto doentio é sua utilização ineficaz ou então sua não
adaptação às realidades internas ou externas. (Bergeret, 2006).
Os mecanismos de defesa fazem parte dos
procedimentos utilizados pelo Eu (Ego) para desempenhar suas
tarefas, que em termos gerais consiste em evitar o perigo, a ansiedade e o
desprazer.
Entre os mecanismos de defesa é preciso
considerar, por um lado, os mecanismos bastante elaborados para defender
o Eu (ego), e por outro lado, os que estão simplesmente
encarregados de defender a existência do narcisismo.
Freud (1937) lembra
que as defesas servem ao propósito de manter afastados os perigos. Em parte,
são bem-sucedidos nessa tarefa, e é de duvidar que o ego pudesse passar
inteiramente sem esses mecanismos durante seu desenvolvimento. Mas esses
próprios mecanismos, que a priori, são defensivos podem transformar-se em
perigos. O ego pode começar a pagar um preço alto demais pelos serviços que
eles lhe prestam. O dispêndio dinâmico necessário para mantê-los, e as
restrições do ego que quase invariavelmente acarretam, mostram ser um pesado
ônus sobre a economia psíquica. Tais mecanismos não são abandonados após terem
assistido o ego durante os anos difíceis de seu desenvolvimento.
Nenhum indivíduo,
naturalmente, faz uso de todos os mecanismos de defesa possíveis. Cada pessoa
utiliza uma seleção deles, mas estes se fixam em seu ego.
Tipos de mecanismos
de defesa:
Formação reativa
É um
contra-investimento da energia pulsional retirada das representações proibidas.
Por exemplo, a solicitude pode ser uma formação reativa contra as
representações violentas ou agressivas; ou as exigências de limpeza e asseio
uma reação reativa contra o desejo de sujar.
A formação substitutiva pode dá-se no sentido inverso. O sujeito pode tentar
mascarar por meio de uma pseudo-sexualidade substitutiva de superfície, suas
carências objetais e sexuais, ao mesmo tempo que tenta se assegurar contra a
carência de suas realidades narcísicas. O sujeito opera no registro das defesas
do Si-mesmo.
Identificação
A identificação
é uma atividade afetiva e relacional indispensável ao desenvolvimento da
personalidade. “Como todas as outras atividades psíquicas, a identificação
pode, por certo, ser utilizada igualmente para fins defensivos.” (Bergeret,
2006, pág. 101)
Projeção
Para Freud, existem
nesse mecanismo três tempos consecutivo. Primeiro a representação incômoda de
uma pulsão interna é suprimida, depois esse conteúdo é deformado, enfim, ele
retorna para o consciente sob a forma de uma representação ligada ao objeto
externo.
A projeção ocorre em
todos os momentos da vida. Ela é essencial no estágio precoce de
desenvolvimento, contribuindo para a distinção entre Si-mesmo e não-Si-mesmo,
onde tudo o que é prazeroso é experimentado como pertencente ao Si-mesmo; e
tudo o que é penoso e doloroso se experimenta como sendo não-Si-mesmo. Esse é
um processo normal que ajuda a fortificar o Si-mesmo e a estabelecer o esquema
corporal.
A introjeção seria uma defesa contra a insatisfação causada pela ausência
exterior do objeto. A incorporação é o objetivo mais arcaico dentre os que se
dirigem para um objeto. A identificação, realizada através da introjeção, é o
tipo mais primitivo de relação com os objetos.
Anulação
Anulação
Freud diz que é um
processo ativo consiste em desfazer o que se fez. O sujeito faz uma coisa que,
real ou magicamente, é o contrario daquilo que, na realidade ou na imaginação
se fez antes.
Isolamento
Esse mecanismo é
descrito por Freud desde 1894, e consiste em separar a representação incômoda
do seu afeto. No isolamento o paciente não esquece os traumas patogênicos, mas
perde o rastro das conexões e o significado emocional. Os fatos importantes de
sua vida (e que podem ter forte teor patogênico) perdem o significado afetivo,
são isolados de sua carga emotiva.
Deslocamento
Nesse mecanismo a
representação incômoda de uma pulsão proibida é separada de seu afeto e este é
passado para uma outra representação, menos incômoda, mas ligada à primeira por
um elemento associativo (Bergeret, 2006). O afeto contido em relação a um certo
objeto explode contra outro objeto.
Sublimação
Na sublimação o alvo
é abandonado em proveito de um novo alvo, valorizado pelo superego e ideal de
Si-mesmo. A sublimação não necessita de nenhum recalcamento.
Fonte: Mecanismos de Defesa - Psicanálise - Abordagens - Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/mecanismos-de-defesa#ixzz1mqiajjL5
Nenhum comentário:
Postar um comentário